sábado, 8 de janeiro de 2011

08/01/2011

Um dia pouco produtivo, decorrente dos abusos de ontem. Lendo “o conceito de povo em Portugal”, de Fátima Sá, onde percebe-se a conservação, nos primórdios do século XIX, do sentido tradicional da palavra “povo”, inclusive utilizando como referência às  Cortes de Lamego. Lembrando que este referencial também serviu aos presos pernambucanos na Bahia, ao discutirem o significado da palavra “Classe”. A permanência dos sentidos tradicionais e a referência ao passado demarca a dificuldade que o mundo luso-brasileiro possui de pensar em termos de progresso. Não à toa, o movimento constitucional vintista fora alcunhado de Restauração. Cabe porém dimensionar essas permanências, pois existem mudanças nas concepções de sociedade e poder. A modernidade não pode servir de diapasão a análise, embora as referências modernas sejam uma referência comparativa de suma importância para perceber a recepção das Luzes no mundo luso-brasileiro.
A permanência dessa idéia pejorativa do povo enquanto massa ignara, em contraposição a uma elite de bom nascimento e apta ao exercício da política ainda permanece, de determinada forma, enquanto um preconceito das classes médias e elites mais tradicionais. O princípio da soberania popular me parece que sempre foi um engodo discursivo, pelo menos no que se refere ao Brasil.

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