Dia de pouco estudo. Quebrando a cabeça na parte mais filosófica de “História como sistema”, na discussão relacionada à ontologia tradicional sobre o ser (res). Faz a crítica ao naturalismo e ao idealismo, ambos herdeiros dessa tradição, que ao abordar o res como realidade autêntica, aliena-se da reflexão sobre a ação do intelecto na produção do res (como por exemplo, a idéia de natureza). Se a res, dentro da tradição filosófica discutida, constitui-se naquilo que existe de estático e fixo em toda a entidade, esta concepção parte da ação do intelecto sobre a realidade autêntica, e logo, mutável.
Porque o erro profundo do naturalismo é o inverso do suposto: não consiste em que tratemos as idéias como se fossem realidades corporais, mas antes ao contrário, consiste em que tratemos as realidades – corpos ou não – como se fossem idéias, conceitos; isto é identidades. (José Ortega y Gasset, História como Sistema/ Mirabeau ou o Político, Brasília, Editora Universidade de Brasília, Coleção Orteguiana, 1982, p.42)
Ortega propõe assim, uma “desintelectualização” do real, assumindo o caráter arbitrário deste. E qual seria a nova proposta de ontologia?
Trata-se de pensá-la urgentemente segundo se apresenta na sua primária nudez, mediante conceitos atentos unicamente a descrevê-la [logo, os conceitos não encarnariam o ser, diminuindo a ação do intelecto que manipula o real] e que não aceitem qualquer imperativo da ontologia tradicional.” (p.42)
Seria a razão histórica? Veremos nos próximos capítulos!
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